minha dor postou ao meu lado
ecoou na sala vazia
e as lágrimas tocaram o mármore gelado
quem fui eu naquele dia que não queria partir?
quem fui eu que parti de mim no dia que cheguei onde não queria?
quem sou eu que ganhei asas, mas que as quebrei e hoje meu voo mais fundo é no chão?
olhe pra mim, espelho, e me diga:
quem, além de mim, pode fazer e desfazer os nós?
"não se amarra solidão".
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
o tempo no trilho
pensei que o tempo era passageiro
até olhar para o lado e vê-lo sentado junto a mim
pensei que o tempo era passageiro,
porém distante
e percebi que a viagem seguiu
o trilho barulhou no meu ouvido
e o tempo não saía do meu lado
o fim do dia refletiu meu rosto na janela
tinha envelhecido
o tempo não
e percebi
eu era o tempo
o tempo éramos todos nós.
ele não envelhece
ele amadurece na gente.
até olhar para o lado e vê-lo sentado junto a mim
pensei que o tempo era passageiro,
porém distante
e percebi que a viagem seguiu
o trilho barulhou no meu ouvido
e o tempo não saía do meu lado
o fim do dia refletiu meu rosto na janela
tinha envelhecido
o tempo não
e percebi
eu era o tempo
o tempo éramos todos nós.
ele não envelhece
ele amadurece na gente.
sábado, 17 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Ana
olhou praquela confusão, pros copos vazios, pras canecas sujas, pras letras escritas nas paredes, escorridas nas janelas, deitadas na cama. olhou os livros não lidos, os outros deixados pela metade, a maioria esperançosos só de ouvir "logo eu volto a ler você". mas não. a vida dela era muito maior que um quarto desorganizado, desarrumado, desestruturado. era só o retrato da vida.
Ana chegou a pensar que, se passasse desinfetante no chão e detergente nos copos e nas mãos, tudo estaria limpo. era uma forma de começar. aliviava. mas depois vinha pungente, latente, rompendo manhãs: vi-ver. não era fácil. e daí vinha o choro, misturado com o soluço, com a magnitude daquilo tudo que estava por vir. doía. não saber do futuro, não reler o passado, não viver o presente.
às vezes ia no bosque. a natureza era complexa e, no entanto, sofria calada. ou sorria calada. dava na mesma, algumas vezes.
e ela chegava e admirava aquela sombra toda, quase sentia frio. e se a sombra quisesse ser sol? chegava a ser frustrante pensar tanto.
voltou pra casa e, mais uma vez, preparou um chocolate quente. mais um pra sua coleção. pegou no sono. era reconfortante a bagunça em que se metia.
Ana chegou a pensar que, se passasse desinfetante no chão e detergente nos copos e nas mãos, tudo estaria limpo. era uma forma de começar. aliviava. mas depois vinha pungente, latente, rompendo manhãs: vi-ver. não era fácil. e daí vinha o choro, misturado com o soluço, com a magnitude daquilo tudo que estava por vir. doía. não saber do futuro, não reler o passado, não viver o presente.
às vezes ia no bosque. a natureza era complexa e, no entanto, sofria calada. ou sorria calada. dava na mesma, algumas vezes.
e ela chegava e admirava aquela sombra toda, quase sentia frio. e se a sombra quisesse ser sol? chegava a ser frustrante pensar tanto.
voltou pra casa e, mais uma vez, preparou um chocolate quente. mais um pra sua coleção. pegou no sono. era reconfortante a bagunça em que se metia.
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